História do Dia
O Jovem Viajante

Certo dia, um jovem viajante decidiu ir até a nova cidade onde seu irmão estava morando.
Como não o via há muitos anos, abandonou tudo e partiu.
Após caminhar vários dias sob sol e chuva, avistou de longe uma pequena cidade.
Antes de chegar à cidade foi surpreendido por uma colina que estava à direita do caminho.
A colina estava coberta de um verde maravilhoso, com inúmeras árvores, pássaros e flores perfumadas.
O viajante observou que aquele lugar estava rodeado por uma cerca branca e uma pequenina porta de bronze que o convidava a entrar.
De repente, o viajante sentiu que se esquecia da pequena cidade e não resistiu à tentação de entrar e conhecer o lugar maravilhoso que observava.
Então, ele atravessou o portal e começou a caminhar lentamente entre pedras brancas que estavam espalhadas aleatoriamente entre as árvores.
Observava os pássaros, as borboletas e as flores que ali havia, quando por um momento seus olhos percorreram o que estava escrito sob uma das pedras que estava no chão.
A inscrição dizia o seguinte:
“João Pedro viveu oito anos, seis meses, duas semanas e três dias.”
Naquele momento, o viajante sentiu-se angustiado ao perceber que aquela pedra não era simplesmente uma pedra, mas uma lápide.
Foi imediatamente tomado por uma profunda pena ao pensar que uma criança tão nova havia sido enterrada naquele lugar.
Quando, de repente, passou a reparar nas outras pedras, o jovem viajante se deu conta de que a pedra seguinte também tinha uma inscrição.
Aproximou-se mais uma vez para ver o que estava escrito:
“Ana Maria viveu cinco anos, oito meses e três semanas.”
O jovem viajante sentiu-se terrivelmente transtornado.
Esse belo lugar era um cemitério, e cada pedra branca que havia no chão, era na verdade, uma tumba.
Uma após outra, começou a ler as lápides que ali estavam.
Todas tinham inscrições semelhantes: o nome de uma pessoa e o exato tempo de vida do morto.
O que mais chamou atenção do viajante, foi perceber que quem mais tinha vivido apenas ultrapassava poucos anos, sequer chegava a uma década.
Invadido por uma dor muito grande, sentou-se e começou a chorar.
Uma pessoa que tomava conta do cemitério viu o viajante chorando e aproximou-se.
Ele permaneceu em silêncio enquanto olhava o viajante chorar.
Após algum tempo, ele perguntou ao jovem viajante se ele chorava por alguma pessoa de sua família.
O viajante respondeu:
- Não, ninguém da minha família foi enterrada aqui. O que aconteceu nessa cidade? Por que tantas crianças foram mortas e enterradas neste lugar? Há alguma maldição que pesa sobre essas que pessoas e as obrigou a construir um cemitério de crianças?
O velho sorriu e lhe disse:
- Acalme-se. Não existe nenhuma maldição neste lugar. O que acontece é que aqui temos um antigo costume que lhe contarei. Quando um jovem completa quinze anos, ele ganha de seus pais uma caderneta, como esta que eu mesmo levo aqui, pendurada em meu pescoço. É uma antiga tradição entre a gente que, a partir desse momento, sempre que vivemos alguma coisa intensamente, devemos abrir e escrever na caderneta. À esquerda, colocamos o que foi desfrutado e à direita o tempo que durou a emoção. Assim vamos anotando na caderneta cada momento de felicidade. Quando alguém morre, é nosso costume abrir a caderneta e somar o tempo de alegria e felicidade desfrutado pela pessoa que partiu, para gravá-lo sobre sua lápide, porque este é para nós, o único tempo vivido de verdade!